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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Antídoto

Tristes são os que não conhecem o amor
Juram que sentimento assim inexiste,
pois injetaram o egoísmo nos próprios olhos.
Em qual sentimento caberia o antídoto
para estes incrédulos enxergarem que amor é serviço?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"foda-se"

Talvez um membro mutilado,
seja nem metade.

Talvez minha cara arrastada
em parede áspera,
cara a tapa, tapa além da cara
além da pele, além da palma
nenhuma força é nada
tua força é nada comparada a tua palavra,
ao foda-se, ao foda-se.


"foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se,
foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se,
foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se"


Dói além do tato, além do tempo 
e do pensamento meu.
Corrói-me do abstrato ao concreto.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Bicicleta

Estou ótimo. Não tenho dinheiro nem conta bancária estável
tão pouco a estabilidade dos velhos já realizados.
Sou garoto.
Não vejo validade no luxo
nem na ausência do mesmo.

Estou ótimo.
Só escrevo porque paguei o concerto de uma velha bicicleta da minha mãe.
Minha mãe não sabe andar de bicicleta.
Paguei no crédito, da minha conta bancária negativa,
e agora não pego o caos e o trânsito barulhento nas ruas.

As ruas estão como veias entupidas de gordura,
pulmões negros de fumaça
um escroto carregando porra e merda do outro.
Deixo todo mal destas ruas para trás.

Toda rua me segue. E sou rua. Rua livre.
Não sou mais um verme neste organismo.
Agora estou ótimo!
E vou de bicicleta.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pombo, pobre e pão

Hoje um pombo quase me atropelou! Um pombo bem do gordinho.
Esta praguinha tão bem alimentada pelos velhinhos nas praças.
Quantos pombos comendo pão dormido,
quantas pessoas dormindo do outro lado da calçada
e eu aqui escrevendo sobre pombos, pobres e pão.
Será que sou mais inútil que aqueles velhinhos?