bèrro sucinto via e-mail (feed):

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Le fils de l'homme


Meus desejos passam por mim
e tapam a minha face,
como se fossem maior do que minha consciência.
Pura ilusão - e pretensão.
Venho treinando há tempos.
Aprendi a observar-te inerte,
e não ir além da vontade dos olhos,
como o filho do homem.


A imagem se chama The Son of Man (O Filho do Homem / Le fils de l'homme) do Pintor Surrealista Belga René Magritte. É uma pintura de 1964.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

eus

Às vezes um de meus eus
quer azedar os outros,
quando todos os outros parecem ter ido a passeio.

Entram sopros carregados de sensações.
Ventam apenas meus sentidos
e enchem o que esvaziou,
e sabe-se lá o motivo de ter esvaziado!

É que às vezes me ponho a pensar apenas pelos atos e não pelos fatos.

Os atos comandam meu caminho por instantes,
e estes microtempos parecem me encantar.
Até que outros meus eus, que por segundos foram soprados,
voltam como furacão.

Mais vale pensar com minhas razões e meus corações.
Estes não espelham-se em pequenos instantes e sentidos,
mas refletem os meus melhores eus.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

corpo circunscrito

Você. Você tem que lutar contra as tuas fraquezas.
Ninguém mais pode fazer isso a não ser
você. Você já começou a lutar contra tuas fraquezas?
Pessoas juntam-se para compartilhar idéias,
momentos, realizações, vidas, uma infinidade de coisas.
Estamos cercados de pessoas,
e mesmo assim por algum momento nos cercamos de uma solidão, e as pessoas continuam nos cercando.
Um corpo circunscrito.

Não há ninguém que tire essa solidão. Não há ninguém que não guarde essa solidão. Não há ninguém que consiga eliminar essa solidão.
Há vontade de vencê-la, há vontade de guardá-la no fundo do baú, há vontade de aceitá-la, há vontade de eliminá-la.

Esta solidão que tanto falo, são exatamente tuas fraquezas.
Você já começou a lutar contra tuas fraquezas?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

feliz, egoísta e generoso

Ver a felicidade em alguém que nós amamos é tão bom quanto ver a própria felicidade. Quando repensei isto, percebi que estava vendo a minha felicidade. A alegria da outra pessoa era minha alegria. Sou louco por felicidade ou sou feliz, egoísta e generoso?

“Amai para entendê-las: Pois só quem ama pode ter ouvido. Capaz de ouvir e de entender estrelas”. Olavo Bilac

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Reflexo

É inevitável esconder o amor,
o bem, a paz e o respeito
que habitam em mim.
Percebo - não receio - que todos que passam por minha pessoa
sabem o caminho certeiro de tudo que sou.

E o caminho sou eu.
E quando me olho no espelho,
lá está você.
Um reflexo de tudo que há em mim.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Guayasamín



"Esta sociedade é obscura, os ricos são cada vez mais ricos.
E os pobres cada vez mais tremendamente pobres. Cidades países inteiros são convertidos em prisões onde os muros da morte e o medo impõem o silêncio. Seria pueril considerar que se trata de casos patológicos isolados, patológico no sistema no qual é estabelecida a violência como forma de governo.
Quero dizer que quando um torturador tem a capacidade de costurar a vagina de uma mulher com uma ratazana dentro, não faz mais que atuar normalmente dentro de um sistema que tem ratazanas na alma.
Acho que nosso século (XX) pode ser considerado como o mais horrendo da História da Humanidade. Nunca temos sofrido tantos crimes, guerras, bombas atrozes, campos de concentração, ditaduras bestiais e tantas crueldades juntas.
A pesar de tudo, não perdemos a fé no homem, em sua capacidade de erguer-se e construir; porque a arte cobre a vida.
É uma forma de amar."


Palavras de Oswaldo Guayasamín (1919-1999), pintor equatoriano.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Antídoto

Tristes são os que não conhecem o amor
Juram que sentimento assim inexiste,
pois injetaram o egoísmo nos próprios olhos.
Em qual sentimento caberia o antídoto
para estes incrédulos enxergarem que amor é serviço?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

"foda-se"

Talvez um membro mutilado,
seja nem metade.

Talvez minha cara arrastada
em parede áspera,
cara a tapa, tapa além da cara
além da pele, além da palma
nenhuma força é nada
tua força é nada comparada a tua palavra,
ao foda-se, ao foda-se.


"foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se,
foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se,
foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se"


Dói além do tato, além do tempo 
e do pensamento meu.
Corrói-me do abstrato ao concreto.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Bicicleta

Estou ótimo. Não tenho dinheiro nem conta bancária estável
tão pouco a estabilidade dos velhos já realizados.
Sou garoto.
Não vejo validade no luxo
nem na ausência do mesmo.

Estou ótimo.
Só escrevo porque paguei o concerto de uma velha bicicleta da minha mãe.
Minha mãe não sabe andar de bicicleta.
Paguei no crédito, da minha conta bancária negativa,
e agora não pego o caos e o trânsito barulhento nas ruas.

As ruas estão como veias entupidas de gordura,
pulmões negros de fumaça
um escroto carregando porra e merda do outro.
Deixo todo mal destas ruas para trás.

Toda rua me segue. E sou rua. Rua livre.
Não sou mais um verme neste organismo.
Agora estou ótimo!
E vou de bicicleta.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Pombo, pobre e pão

Hoje um pombo quase me atropelou! Um pombo bem do gordinho.
Esta praguinha tão bem alimentada pelos velhinhos nas praças.
Quantos pombos comendo pão dormido,
quantas pessoas dormindo do outro lado da calçada
e eu aqui escrevendo sobre pombos, pobres e pão.
Será que sou mais inútil que aqueles velhinhos?

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Nós. Fulanos...



Fulano fez um cartaz. Fulano fez um cartaz para caridade. Fulano fez um cartaz para caridade pensando nas vítimas do terremoto. Fulano fez um cartaz para caridade pensando nas vítimas do terremoto no Haiti.

Fulano pesquisou fonte, cores, tipos de papel, tipos de impressão, local, equilíbrio das informações.

Fulano pesquisou a foto. Fulano pesquisou a foto no Google. Fulano pesquisou a foto no Google colocando crianças africanas no buscador. Igual a japônes. Igual a índio. Esses africanos são todos iguais.  

segunda-feira, 24 de maio de 2010



É tão estranho quanto interessante,
ser tão único e insignificante.
Sou grão de pó na poeira do infinito.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sharon Parideira

Brasil, ano 10, século XXI

Sharon Fernanda Pereira da Costa nunca gostou de estudar.
16 anos, pobre menina pobre, preferiu ir trabalhar.
Dizia "não quero ganhar pouca merda não", "quero ser dona do barro ao asfalto"
"e agora que o bolsa família baixou a idade vai ficar muito mais fácil,
crio filho como gado."

sharon-parideira.com
minha organização
sharon-parideira.com
do governo federal
sharon-parideira.com
assistência social

Sharon Fernanda, A Empreendedora, fundou seu sítio
na internet
"Procuro meninas jovens e saudáveis para ingressar na minha creche"
Cadastre-se já nos links parideira ou assistente
Para reproduzir ou cuidar
da reprodução da gente
Tem direto a passagem e alimentação

sharon-parideira.com
minha organização
sharon-parideira.com
do governo federal
sharon-parideira.com
assistência social

terça-feira, 11 de maio de 2010

Morte ao vício

Arreda-te de mim bicho peçonhento!
Ainda que tua insistência alcance meus pensamentos
rejeita-te o meu corpo,
em duelo com minha mente.

Na busca pelo equilíbrio... Ah o equilíbrio!
Todos somos
pobres que se rendem a teu falsificado salve
podre pedaço de carne
sem verbetes e sinônimos no meu dicionário.
Somente a ti declaro:
pena de morte.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Inércia

Pensar...
Desde quando o ar rompeu meus pulmões
E o meu corpo-máquina começou a funcionar,
coisa nenhuma penso mais
e nunca mais vou pensar.
Sou inércia e penso por ela.

domingo, 25 de abril de 2010

Inventar é palavra ousada 
Nunca ousei inventar nada
Ninguém inventa, 

as coisas simplesmente são.

Inventar é encontrar razão já descoberta,
pois as respostas já existem.
De onde vem tantos descobrimentos? 

Não sei. Não inventei e não descobri.
Acho que na tentativa do descobrir todos se cobrem.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Diferenças

Ontem você não me deixou dormir.
Fiquei olhando pro teto e pensando na diferença
na diferença nossa.
Você não estava lá, mas não me deixou dormir.
Gritava tanto a nossa diferença! Queria cessá-la.
De dentro pra dentro gritava
no meu pensamento noturno.
E eu olhava o teto no escuro do quarto,
e ela gritando mais alto.
Que agonia a diferença,
às vezes penso que sei conviver bem com elas,
as diferenças.
Mas são diferenças, muitas diferenças!
E desconheço noventa e nove cem avos delas.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Tempo é vida também

Hoje tempo é tudo na vida.
Mas tudo não é nada na vida,
tudo não é tudo na vida,
nada não é nada na vida
e nada não é tudo na vida.
Tempo é. Vida também.

domingo, 28 de março de 2010

O Silêncio

Aprendi a praticar o silêncio.
Não o silêncio ausência de sons, o vácuo
é inimaginável a ausência de som
Pratico o silêncio no pensamento.
Quando o nada toma conta de mim.
Quando a abstração me leva a reflexão,
e o que me liga ao mundo caneta-papel.


continuo ouvindo
ruídos de pessoas, carros, buzinas,
e a gravidade domina por completo meu corpo franzino.
Mas nenhuma energia controla
o silêncio que flutua em mim.

sábado, 27 de março de 2010

Quando Coração

Estava defecando quando olhei para o piso do banheiro

No reflexo da luz sobre o azulejo eu vi um coração.

Aliás vejo corações na folha seca caída no chão, na falha das calçadas esburacadas, nos pedaços de guardanapo amassados, no resto da comida no prato e


agora
no piso do banheiro.


Se, de fato, sou louco eu não sei
Mas são ou não, eu vejo coração.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sobre perguntas em palestras

Em todas as palestras ouço perguntas tão intencionadas e distantes,
que não sei se é minha cabeça que não processa
ou também a cabeça dos palestrantes.

Waly Salomão


"Experim
entar
o experimental

Experimentar
o experimental

A fala da favela

O nódulo decisivo
Nunca deixou de ser
O ânimo de plasmar

Uma linguagem convite
Para uma viagem

E agora?
Quer dizer, o que é que eu sou?

Meu nome é Waly Salomão, um nome árabe:

Waly Dias Salomão! Nasci numa pequena cidade da caatinga baiana, do sertão
baiano, filho de pai árabe e uma sertaneja baiana.

A memória é uma ilha de edição, a memória é uma ilha de edição.


Nasci sob um teto sossegado, meu sonho era um pequenino sonho meu, na ciência dos cuidados fui treinado, agora, entre o meu ser e o ser alheio, a linha de fronteira se rompeu...

Câmara de éter, eu tenho o pé no chão, porque sou de virgem, mas a cabeça gosto que avoe..."

Waly Salomão

quarta-feira, 17 de março de 2010

A Boca Global

Todos os ouvidos seu gogó acerta
Caras e bocas, a boca esperta.
Ouça. Preste atenção. Mas não reflita de fato, aceita...
Aceita que ela é bonita... Muito bonita!
Faz "Plim Plim" pra mim!
Fez bem, faz mal, faz bem, fez mal.
Mas de todas as bocas, eu só me vejo por aqui.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Papagaios



Imitamos tanto quanto os papagaios.

A diferença é que eles imitam - e sem saber que o fazem - por natureza.

Nós não. Não somos naturais. Não agimos naturalmente. Não gostamos da nossa natureza.
Estamos sempre nos apropriando da apropriação.
Garanto que o único ato natural é o teu encontro com o vaso sanitário.

Ou até nessas horas você faz um estilinho?

segunda-feira, 8 de março de 2010

Crua Cura

Troque apropriação pela troca
Inverta filosofia e dogma
Dogma e religião fora
Fora tira fora!
Fora a lei do deus,
do demo, do céu e do inferno

Coloca a mão na consciência e passa o pente
Pente fino! Cuador!
Cura a dor do egoísmo, da burrice, do medo, do mundo

IGNORANTE!


É CURRA É CURRA É CURRAAAAA
A CURA É CRUA É CRUAAAAA
E A CURA É CRUA É CURRAAA

LOUCURA. A CURA É CURRAAAAA



Tá uma curra! Cadê a cura?




quinta-feira, 4 de março de 2010

Nem tudo que é eterno é inesquecível,
mas tudo que é inesquecível é eterno.
Pense comigo:

Deus.

Às vezes o esqueço
Mas no aperto inesquecível, na angústia inesquecível, na tristeza inesquecível lembro de alguém eterno! Quase que eu esqueci!
Se Deus não existisse hein?

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Bicho Homem

Walacinho descobriu
que sua esposa o traiu
com Wellignton Tarugo
Walacinho quando ouviu
com Deus e o Demo dividiu
mas os dois ficaram mudos
Walacinho explodiu
do ódio o ócio ele cuspiu
pegou o ferro na gaveta
Três caroços no Tarugo
depois disso ficou surdo
e só ouvia o capeta!

Sou tão bicho
quanto os bicho que julgo!
Sou tão bicho
quanto os bicho que julgo!

Kelly Maria sua mulher
quase não acreditou
na história que chegou aos seus ouvidos
Jurava eterno amor a Walace da Silva Severino
Disse ao homem que era tudo fuxico da comunidade
Quem sabe agora se Kelly é mentira ou é verdade?

Um cabra mata o outro
para ser respeitado no mundo

Sou tão bicho
quanto os bicho que julgo!

Mulher trepa no homem
que trepa na outra que trepa em tudo

Sou tão bicho
quanto os bicho que julgo!

Quem é que balança o rabo
no baile, no samba, no duro

Sou tão bicho
quanto os bicho que julgo!

Quem é que estufa o peito
e no pêlo põe mais um filho no mundo

Sou tão bicho
quanto os bicho que julgo!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dois Poeminhas Com Meleca


Do nascimento a criação

Antes de nascer eu era um pó invisível aos olhos da poeira,
mas visível a natureza dela.
Criado com aglomerados de poeira, daqueles que vivem no chão.
Quando fui varrido me juntei com mais um monte de poeira.
Alguns me sujaram para o leviano,
outros para o compassivo.
Sou parte de dois, mas sou um.
Um aglomerado crescendo na poeira da vida,
e uma melequinha no nariz de Deus.



Meleca

Eu sou uma meleca!
Alto lá! Não sou qualquer meleca não!
Sou aquela retirada em segredo, no fim do dia.
E que você aproveita sozinho no canto do teu quarto
Que nem lembrança boa.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

pesanmento

tento verter um grito único rápido mas cada hora é um grito diferente e às vezes são tantos ao mesmo tempo que tenho que selecionar e passar rápido para o papel quem dera se pudesse gravar esses gritos mudos da minha mente e a mente é tão complicada que não consigo transcrever todos os ruídos e como as palavras são complicadas também e como quero aprende-las o que eu escrevi foi um grito que passou por dois segundos bem discreto na minha mente e precisei de oitenta e sete verbetes pra tentar explicar dois segundos agora noventa e sete cem cento e três cento e seis...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Tento não ser bicho

Lembro depois o que sempre esqueço...
Na verdade não esqueço, tento.
Tento expulsar, rejeitar, retirar.
Mas nunca esqueço, nunca rejeito.
Tento.

...tento, tento, tento, tento, tento, tento...
Tento tanto!
Tento muito!
Mas falta tento!


Na hora da raiva, do ruivo, da relva
Um ritmo: sem tento sem tempo.
E depois eu lembro o que sempre esqueço...
Sou tão bicho quanto os bichos que julgo.

Neruda...

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.


Pablo Neruda

sábado, 23 de janeiro de 2010

Está bem...

Oh Jesus! Eu te amo!
E amo Buddha também!

Ramakrishna, Gurudeva,
Tao Te Ching e Mohammed

Muitas pessoas dizem
que existe só um meio
de te amar, te conhecer
mas somos parte do seu Ser

Está bem, está bem, está bem
Amo Você e Buddha também.
Está bem, está bem, está bem...
Amo Você e Buddha também.

Você é inonimado
É irreconhecível
Então a fé é meu início
Espaço e tempo indefinidos

Você é o Universo?
Você é e não é
Você é tudo
Você então
É cada início e conclusão.


Versão brasileira da música
I Love you and Buddha too do Mason Jennings

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

... pessoas irritam outras pessoas ...


...pessoas irritam outras pessoas irritam outras pessoas irritam outras
pessoas irritam outras pessoas irritam outras pessoas irritam outras
pessoas irritam outras pessoas irritam outras pessoas irritam outras
pessoas irritam outras pessoas irritam outras pessoas irritam outras...

Não tem fim
inacabável
sem limite
o círculo
infinito
infindo
do ciclo.

as pessoas,
se irritam.

O bérro do texto

Bérro sucinto é o do texto:
ecoa na cuca e fica gritando por lá.
Até bater no espelho da alma
e sair cacos da cuca em palavras.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Delírio?

Os nomes são delírios.
O próprio nome delírio é um delírio.
Estes símbolos chamados de letras,
ajudam em que?
A palavra é um delírio!
Quem disse que o nome comida é comida e não bosta?
Nascemos conformados aos delírios,
morreremos vivendo-o.
E eu aqui tentando explicar delírios delirando...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Vinte Reais


Ah...! Eu nunca tive vergonha de papel!
Nunca tive vergonha de um pedaço de papel.
Tampouco vergonha da vergonha passada!
Mais vale moer um papelão até virar lembrança
do que recorda-lo como desonra.

O azedume foi meu acanhamento,
O agridoce é minha lembrança,
E o doce - ainda acre - será uma bela de uma experiência,
quando adocicar de vez.

Ah! O papel!

Precisava do papel. Não tinha o tal papel.
Passei um papelão por um papelzinho.
Papelzinho cheio de valor!
Cheio de títulos, autoridade e mérito.
Tanto temor, que tive de rogar por ele como se fosse um Deus.

-Deus! Por que me envergonhas?
-Foi só uma carteira esquecida!

Tive que pedir.

Uma nota de vinte
que carrega o desenho do mico detrás,
pagou minha liberdade envergonhada!
Paguei mico segurando o próprio mico na mão
ou melhor, não paguei, recebi o mico.
Oh Cédula celeste!
Um pedacinho de papel.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

E a Internet cria outros "eus" virtuais, reais, com vida e sem validade

Imortal

Lá não tem lei

E se precisa ter
Qual Deus que vem
E os mandamentos? Quais vão ser?

Quem é inocente
Se a norma não tem vez
A arma em suas mãos
Você ladrão juiz e rei

Como vou repensar
Se não sei como entrei
Eu sou a rede, o mar e o peixe que eu mesmo pesquei

Quem vai me dominar?
Não sou material
Sou corpo vivo de um mundo virtual

Eu sou imortal.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Inaugurando o novo ano

Quem é humano?


Quem busca uma meta
Planeja um alvo
Certo é o acerto ou engano
Quem é o plano além do acaso?

Quem busca um alvo
e o que é o alvo
senão o desejo do plano?
Quem é que transcende a visão do inexistente
senão o humano?

Quem é humano para ver
além do querer?
Quem é humano para ver
além do mundano?
Quem é humano para ver
além do que é crível?
Quem humano para ver
além do infinito?

Quem é humano?